QUANTO TEMPO VOCÊ TEM?

Tempo! Algo fascinante e paradoxal, que desperta o interesse da humanidade desde a antiguidade. O tema é bem vasto. Platão, séculos antes de Cristo, já procurava entender o tempo. Ele dizia que o tempo é uma cópia imperfeita, de um modelo perfeito que é a eternidade. Já na Idade Média, Santo Agostinho, tinha uma tirada sobre o tempo, muito legal: “O que é, pois o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicá-lo a quem me pede, não sei.” Isso nos deixa mais confortáveis, já que ele foi um grande pensador e orador. O que ele queria dizer é que o tempo é algo difícil de ser colocado em palavras, porque seu entendimento em profundidade nos escapa, não conseguimos exprimi-lo. Pare um pouco e tente explicar o tempo... Difícil, não é mesmo?

Mas Santo Agostinho, falou muito mais sobre o tempo, levantou muitas perguntas e tentou respondê-las: “Quem pode medir os tempos passados que já não existem ou os futuros que ainda não chegaram? Só se alguém se atrever a dizer que pode medir o que não existe, desta forma, não podemos medir o tempo, podemos perceber e medi-lo apenas no momento em que está decorrendo.”

Séculos depois, os astrofísicos foram desenvolvendo suas teorias sobre o tempo, a ideia de espaço-tempo e de movimento, foram sendo agregadas a elas. Albert Einstein mostrou com sua teoria que: “O tempo é relativo e não pode ser medido exatamente do mesmo modo e por toda parte.” O passado só existe na nossa memória, e o futuro é feito de situações que ainda não existem. O que nos resta então? O que temos é o agora. O agora é o momento no qual podemos realizar alguma coisa no mundo. É nessa fronteira móvel entre o passado e o futuro que as coisas acontecem. Estale os dedos! Pois é... quando você acabou de estalar os dedos, isso virou tempo passado. O que você tinha e tem como tempo é só um instante! Pense nisso: nosso tempo é formado por instantes que logo viram passado. É perturbador, não é? Então quantos instantes a gente tem de vida? Não podemos saber! Jesus disse que o conhecimento de certos tempos e datas estão reservados para Deus. E segundo o livro de Jó nossos dias estão contados e têm limites intransponíveis.

Para cada um de nós há uma percepção subjetiva sobre o tempo, para alguns a sua atuação é dinâmica; para outros, estática. Para alguns ele parece ser longo, para outros, curto. Os gregos chamavam de Cronos o tempo cronológico no qual vivemos e de Kairós o momento oportuno dentro do tempo cronológico, onde os propósitos se cumprem e dão qualidade a vida. Na linguagem de Eclesiastes: “Tudo tem o seu Cronos determinado, e há um kairós para todo propósito.” Nada escapa disso!

A ciência descobriu coisas incríveis sobre o tempo, mas sobre um tempo chamado eternidade, não. Nossa mente não alcança compreensão do tempo de Deus. O tempo dele transcende toda essa limitação e finitude que conhecemos. Eternidade fala de uma qualidade que não conseguimos nem imaginar! O livro mais lido no mundo diz, que mil anos para Deus é como um dia, e um dia como mil anos. Deus age no nosso tempo, e escolhe épocas e dias específicos para fazer acontecer os eventos. É o Kairós dele. Por isso ele fez acontecer momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis, coisas tremendas. Transformou vis pecadores em pessoas incomparáveis. O Deus “do aqui” e “do agora” também planeja e trabalha a longo prazo, ele espera por séculos as coisas maturarem, até chegar à plenitude dos tempos. Mesmo existindo fora desse tempo que conhecemos, Deus tem agenda! Tem cronograma! Sonha, pensa, elabora e executa na hora certa!

Já Lutero, dizia que no calendário dele tinha apenas dois dias; o “dia de hoje”, e “Aquele dia.” Por causa da eternidade e do dia do juízo final, ele tinha foco no uso com qualidade do tempo chamado hoje. Tinha sempre consciência do Kairós e do Cronos. Quando gastamos nossos instantes com coisas sem valor, nossa vida vai ficando sem significado, por consequência, ficamos frustrados, tristes e infelizes. Fiquemos espertos! Veja com o quê e com quem você está gastando seus caríssimos instantes. AGORA, é o tempo oportuno, para fazer mudanças em nossa vida com foco na eternidade! Isso trará paz e alegria. Jesus falou muito sobre discernir os tempos. Ele falou sobre estar a cada instante, sempre prontos, sempre vigilantes, preparados. O coração do sábio sabe discernir o tempo e o modo; quando e como usar o agora e o planejar e trabalhar a longo prazo. E será que hoje, o Criador não está esperando que a gente use essa época de pandemia, onde o tempo está carregado de eletricidade, para ficarmos mais quietos em casa, e mexer com a agenda de nossas vidas? Pensar no Cronos e no Kairós? Nosso foco não deve ser na quantidade de vida que teremos, mas no quanto significado ela está tendo para os propósitos eternos.

É estação de ter esperança, sonhar, planejar para quando chegar o tempo oportuno executar! Quem disse que nosso Criador, Senhor do tempo, não pode te surpreender com momentos incríveis, com coisas inexplicáveis e grandiosas? Isso não é próprio dele? Não foi ele quem disse: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor, pensamento de paz e não de mal, para vos dar esperança e um futuro.” Nos juntemos a Deus nisso, tenhamos fé, e pensamentos esperançosos de um bom futuro para nós mesmos!

                                                                                                        

                                                                           Com carinho, Damares Costa.


Comentários

  1. Como é maravilhoso meditar sobre a eternidade e as intervenções de Deus na história.

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