DE ONDAS DO MAL QUE NOS ENCOBREM, QUEM NOS FARÁ SAIR?


            “Não apenas estamos todos no mesmo barco, em mar tempestuoso, como todos sentimos enjoo e devemos uns aos outros uma terrível lealdade.” As palavras de G. K. Chesterton expressam bem esse momento que estamos vivendo com a pandemia do Covid 19. Você e eu estamos num barco, em meio a uma tempestade, numa noite escura e fria, causada por um vírus devastador. Tem sido uma viagem estranha e única! Onde nos perguntamos com frequência: como e quando essa noite terá fim? No ano passado perdi uma grande amiga e nesse mês de março mais dois amigos, todos, por Covid. Já são mais de dois milhões de pessoas que morreram devido a pandemia, no mundo. E aí a gente se lembra do hino: “De ondas do mal que nos encobrem, quem nos fará sair?”

Pessoas ficaram órfãs, viúvas, sozinhas ou ainda desprovidas de quem trazia o pão de cada dia para suas mesas. Essas pessoas estão feridas, com questões e dores profundas. E sobre a dor dos pais que perderam seus filhos, o que falar? Não me atrevo. É sagrada! Esse cenário de nuvens pesadas criou uma crise de ansiedade e angústia, sacudindo ainda mais o barco. E as perguntas surgem: E se eu morrer como ficará a minha família? Quem cuidará de minhas crianças? Como prosseguir no meu trabalho com os ventos soprando ao contrário? Isso nos deixa tontos... Mas, ai! ondas gigantescas com questões políticas, batem forte e constantemente sobre o barco e deixa muitos de nós com fortes náuseas e ânsias de vómito. Não conseguimos nos estabilizar... As ondas do desemprego... Ondas de violência... Ondas de pobreza. Estamos o tempo todo com enjoo. Não é fácil! Não conseguimos nos equilibrar nem por uma hora! A espuma salgada das notícias ruins salta no nosso rosto. Não temos soluções fáceis para resolver essas questões; e isso nos torna profundamente inseguros e impotentes.

E nessas horas mais angustiantes corremos para orar através do antigo hino: “Ó mestre! O mar se revolta, as ondas nos dão pavor. O céu se reveste de trevas. Não temos um salvador! Não se te dá que morramos? Podes assim dormir, se a cada momento nos vemos, sim, prestes a submergir?” Daí quase podemos sentir e ouvir o Mestre audivelmente: “Não temas! Ó homens de pouca fé. Eis que estou convosco! Sossegai! Sossegai!” Uma pequena luz de estabilidade começa a raiar em nosso ser! A tempestade continua, mas começa a crescer dentro de nós a certeza de que não estamos sozinhos; temos um Salvador, o verdadeiro e único Capitão, Rei dos céus e dos mares.

E ainda usando a frase de Chesterton; “devemos uns aos outros uma grande e terrível lealdade”, ou seja, uma grande e profunda responsabilidade uns pelos outros. Um compromisso honroso com o outro, porque todos nós fazemos parte da família humana. Não podemos abandonar os feridos no barco da vida ou jogá-los ao mar para nadarem sozinhos. Mais do que nunca, precisamos levar o fardo um dos outros, ser sensíveis para ajudar com oração, palavras, serviços; percorrer o caminho mais excelente: o do amor. Talvez isso faça com que a nossa longa e fria noite, seja mais suave.

       No momento, ainda não sabemos quando a tempestade e a noite terminarão, então, apenas continuemos a navegar com fé e esperança! Orando e lembrando da velha canção: “Se as águas do mar da vida, quiserem te afogar, segura nas mãos de Deus e vai. Não temas, segue adiante e não olhes para trás. Segura na mão de Deus, pois ela te sustentará. Segura na mão de Deus e vai!”

 

Com carinho,

Dâmares Sales Costa

 


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