A NOSSA CASA: LUGAR DE SOFRIMENTO OU DE COMUNHÃO?

“Ficar em casa”, se tornou a mais segura proteção contra o vírus do Covid 19; e também trouxe um olhar mais reflexivo para esse espaço que nos pertence e nos acolhe e que tanto amamos: a nossa casa. Desde o começo da pandemia, estamos presos em nossas casas, mas estamos seguros e em paz ali dentro? Muitas vezes não, porque, não muito raramente, os piores inimigos de uma pessoa, estão dentro de sua própria casa: seus familiares! O escritor cristão, G. H. Chesterton, tem uma frase curiosa sobre isso: “A Bíblia diz para amar nosso próximo e também para amar nosso inimigo; provavelmente porque eles são as mesmas pessoas.” As famílias vêm sendo assoladas há muito tempo, por inimigos potentes que atacam dentro de casa: conflito, medo, angústia, depressão, violência, abuso físico e verbal. Os lares cristãos também têm sido duramente atacados por esses vírus da alma. O sofrimento vem através de relacionamentos difíceis e que ficaram piores com a pandemia, porque as pessoas estão ficando juntas por mais tempo dentro dos lares. Mas como reagir em época de grande e variados tipos de sofrimento?

O escritor C.S. Lewis propôs algo interessante sobre o sofrimento: “O sofrimento é o megafone de Deus para um mundo ensurdecido.” Ele explica mais: “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor, esse é o megafone para despertar o homem surdo.” Então nos perguntamos: O sofrimento advindo da pandemia seria o “megafone de Deus”? O que o mundo não quis ouvir? Ou melhor, o que nós deveríamos ter ouvido e não ouvimos, já que a pandemia tem afetado a todos nós? Por que estamos todos debaixo desse sofrimento? São perguntas difíceis de responder, mas sabemos que Deus está permitindo algo forte e grande e doloroso, na Terra. Todas as famílias estão sendo abaladas de alguma forma e estamos nos fazendo várias perguntas: Por que Deus está permitindo tudo isso? E porque Ele está colocando as famílias fechadas em casa? O que Ele está querendo que aprendamos?

O Espírito Santo e a Palavra sempre falam, mas como é grande nossa dificuldade para ouvir! Jesus sempre dizia: aqueles que têm ouvidos para ouvir ouçam. Mas muitas vezes não queremos ouvir, porque já sabemos que Deus requer responsabilidade e maturidade de nossa parte no nosso relacionamento com Ele e com nosso próximo; e disso nós não gostamos, porque custa tomar a cruz! Simplesmente fazemo-nos de surdos. Então Deus começa a usar seu megafone, o sofrimento. Queremos viver a vida com a benção de Deus; com bem estar e segurança, mas do nosso jeito e não do jeito de Deus. E fora a nossa carnalidade, temos uma grande força maligna vinda do inferno querendo aniquilar as famílias.

A pandemia nos obrigou a ficar em casa e nos empurrou para a oração. E isso nos fez lembrar do que Jesus nos ensinou: “Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração”. Essa é a principal característica da Casa de Deus: a oração. Talvez estamos começando a entender que Deus quer mais oração em nossa casa. Nosso lar também precisa ser conhecido como casa de oração. Deus quer que levantemos um altar de intercessão e adoração em nossos lares, onde Ele possa nos falar e nos conduzir. Os tempos são maus, a família tem sido o alvo mais atingido pelas obras das Trevas. A maneira de protegê-la é tornando cada casa uma igreja! Precisamos manter a nossa comunhão com Deus e uns com os outros fortes, senão não iremos resistir como família.

Temos muitas vezes, usado o padrão de valores do mundo para manter os nossos relacionamentos familiares, e o resultado é conflito, sofrimento e separação. O caminho que escolhemos é o que garanta nossos direitos, nossas preferências e nossos pontos de vista. Esse é o caminho do egoísmo, individualismo. Nos afastamos do padrão de Jesus Cristo, de levar a cruz, perdoar, caminhar a segunda milha, considerar o outro em maior honra.  Gostamos de seguir a voz da modernidade, a voz do mundo. Mas há, segundo a Bíblia, em I Coríntios 13, um caminho mais excelente, para caminhar com nosso próximo: o caminho do amor. Um amor que tudo sofre, tudo perdoa, não busca seus próprios interesses e cujo alvo é nos fazer parecidos com Cristo. Como estamos vivendo em nossos lares? Em sofrimento? As vezes precisamos buscar ajuda de pessoas maduras e até mesmo de profissionais quando temos casos de violências e abusos. Mas sempre vamos precisar do olhar de Jesus para os nossos relacionamentos familiares. A qualidade dos nossos relacionamentos familiares, vai depender muito do tipo de relacionamento que temos com Deus. Deus é amor, e nossa comunhão com Ele nos levará a caminhar com nossos familiares, o caminho do recomeço, do perdão, da paciência, do amor, para suportarmos nos momentos de aflições que as vezes vem sobre nós nessa vida.

Mas, alguns já estão entendendo o “megafone de Deus”, com essa pandemia. Percebem que é tempo de estarem mais sensíveis a Ele. Sabem que Deus está falando. Tem entendido que Deus quer nossos joelhos dobrados, nossas famílias em oração. Sim, precisamos orar mais! E ainda citando Lewis: “[...] a fim de despertar-nos da mágica maligna do mundanismo que está colocada sobre nós...”

É nesse mundo cheio de dores, que Deus espera que sejamos resposta, solução. Mas só vamos andar em tolerância, perdão e amor com o “próximo que está lá fora”, quando aprendemos a perdoá-lo e amá-lo dentro de casa. São tempos de sofrimento, tempos de reflexão; precisamos nos libertar do nosso conformismo, individualismo e mundanismo. A libertação começa no altar, no lugar de oração, onde vamos receber força, graça e sabedoria para caminharmos juntos. A paz, o perdão e o amor de que tanto precisamos, nos nossos relacionamentos, vêm da presença de Jesus. Em cada casa deve ser cultivado esse grande tesouro: o altar ao Senhor! Fiquemos em casa, humildes diante do altar, e ouçamos o que Deus tem para cada um de nós, nesses dias tão tumultuados que estamos vivendo. Ouçamos dele, para depois sairmos e brilharmos em meio a grandes trevas; e percorrermos no mundo o caminho mais excelente: o do amor de Cristo.

Com carinho,

Dâmares Sales Costa

 


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